Categoria: Em pauta

Carro queimado

Caos, Ação e Reação

  • 28/11/2010
  • Marcos Lenine | Planejamento

Nos últimos dias estamos vivendo momentos de calamidade pública. A cidade maravilhosa do Brasil, o Rio de Janeiro, sofreu diversos ataques de traficantes de drogas e suas quadrilhas.

Para contextualizar: dezenas de carros, ônibus e motos foram queimados em espaços urbanos da capital carioca, sendo que muitos ataques ocorreram em plena luz do dia. O estado reagiu.

Parece filme, alguns até apelidaram o momento de “Tropa de Elite 3″, ou “Tropa de Elite Live Action”.

Estes ataques, ao que parece, são parte de uma reação à ação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), projeto da Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro que institui polícias comunitárias, a fim de desmontar os esquemas das quadrilhas criminosas nas periferias.

Os traficantes estão com medo e o apoio popular às ações das UPPs nunca foi tão grande. A população apóia: “subam os morros e matem quem correr na direção contrária a de vocês”.

Antes falávamos “a gente não vê, mas o Brasil está em guerra”. Hoje vemos a guerra acontecer.

Por mais críticas que o projeto tenha, e por tudo que vejo, acredito que as UPPs mostram resultados e mudaram a vida de milhares de pessoas em diversas periferias. É notável que o projeto seja uma grande mudança. E grandes mudanças geram reações.

Mas eu tenho uma preocupação geral nestas ações: Até quando são sustentáveis? Se todos os traficantes dos morros cariocas forem presos, mortos ou debandados, o tráfico no Rio acaba? As UPPs, Marinha e BOPE (polícia militar) vão ficar pra sempre nos morros? E isso resolve todos os problemas?

As UPPs não resolvem sozinhas o problema social que vivemos. São necessários programas complexos e estruturados para realmente consolidar as mudanças. É necessário um projeto altamente sustentável de reconstrução, física e social das periferias, com investimentos maciços em educação, e infra-estrutura básica (levando em conta as áreas de risco e as demais).

Enquanto o país (partidos, comunidade, empresários, eleitores) se negar a investir (financeira e competentemente) em educação continuaremos a construir o país em cima de uma bolha, num crescimento que é benéfico, mas a longo prazo pode ocasionar diversos problemas maiores. Historicamente, todo país que investiu em educação, teve aumento no seu PIB. A demanda por educação é real.

Em resumo, minha preocupação é que este fato após palmas de toda a sociedade civil, nos cale e acomode à nova (mesma) realidade. Será que as mudanças continuarão após 2014 e 2016? Será que esses não são projetos com o objetivo principal visando apenas a Copa do Mundo e as Olimpíadas? Sinceramente, acredito que o motivador das ações da polícia pode ter sido este, mas espero que o horizonte destas ações reflita em benefícios muito mais amplos e duradouros.

Quando acabarem os embates, o problema estará resolvido e não é mais nosso, certo? Antes dos ataques também não era problema nosso. Toda ação tem uma reação e como diz a teoria do caos, até o “não fazer nada” tem uma reação.

dry-wash

DryWash: o sucesso do lava-rápido que não usa água.

  • 28/07/2010
  • Juliano do Vale | Inteligência web

Em 1994 começa a história da DryWash quando Lito Rodriguez abriu um lava-rápido em um bairro nobre de São Paulo. O negócio começou e logo o empreendedor já sabia que estava diante do seu maior projeto profissional. Com área reduzida, atendia 500 carros por mês. Conveniência e bem-estar foram as duas palavras que fizeram parte do vocabulário do empresário desde o início, quando ele percebeu que não havia referência no segmento de lavagem de carros, e nem um padrão seguido como modelo.

Mas, o grande diferencial era que Lito não usava água para lavar os carros. Outro fator que ajudou a DryWash a se solidificar no mercado foi montando lojas em shoppings. O sucesso desta estratégia aconteceu pela conveniência do cliente que vai ao shopping em busca de momentos de lazer, enquanto seu carro é lavado sem agredir ao meio ambiente .

O público-alvo da DryWash tem um estilo de vida característico. Valéria Centin, responsável pela área de promoção e marketing da empresa, diz que, pelo conceito, seus clientes são pessoas preocupadas com a responsabilidade social, com o meio ambiente e com o futuro. “São pessoas das classes A e B, apaixonados por carro e que lavam (no shopping) por conveniência”, define Valéria.

Meio-ambiente e responsabilidade

Trabalhar nos shoppings, inclusive, ajudou no conceito de economia de água, já que não é permitido lavagem com água nos centros de compras. A partir disto houve um link com a responsabilidade sócio-ambiental quando se desenvolveu a visão da preservação da água no planeta. Valéria conta que o princípio não era o de chamar a atenção para o aquecimento global ou economia de água. “O que ajudou a DryWash a divulgar este conceito foi a imprensa e sem dúvida a preservação e o aquecimento do planeta agregou muito valor a DryWash”.

No segmento de lavagem sem água a DryWash é a pioneira, mas não a única. Apesar da dificuldade em transformar o conceito de lavagem de carros, o boca-a-boca foi o que trouxe o crescimento para a empresa, que utiliza 80% de componentes orgânicos nos produtos. “Existem concorrentes, mas nenhum deles tem todos os produtos aprovados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), registrados e ecológicos”, conta Valéria.

Com um calendário promocional próprio, a DryWash tem o foco voltado para datas ambientais e sociais, onde todo ano realizam campanhas relacionadas à semana do meio ambiente e a semana da ciência. “Elegemos mensalmente as datas principais”, explica a executiva. Com um produto inovador para o setor, faltava apenas a DryWash estar na TV. Isto aconteceu, mas não em forma de propaganda tradicional. A empresa ganhou mais visibilidade quando o empreendedor Tiago Pereira levou para o programa O Aprendiz 4 – O Sócio, a idéia de unir um novo produto com a experiência e competência do empresário Roberto Justus. Valéria Centin conta que a idéia de internacionalizar a empresa nasceu há quatro anos e o programa foi uma ferramenta para o projeto deslanchar mais rapidamente. “Não podemos dizer que foi um divisor de águas, mas ajudou bastante a divulgar a DryWash”.

A luta por desenvolver o negócio começou bem cedo e ainda teve a desistência de um sócio no sexto mês de vida. “Desde o início, havia muitas dificuldades e nunca acreditamos em sucesso, o que faz com que todos os dias se tornem o primeiro e o último”, afirma Lito Rodriguez (foto) em entrevista ao Mundo do Marketing. O empresário compara o conceito da empresa ao tripé do alinhamento entre pessoas, meio-ambiente e lucro, com o foco sempre no equilíbrio para conduzir o desenvolvimento.

Uma das etapas dos treze anos da companhia foi buscar resultados satisfatórios. Segundo Lito, o lucro é o que garante o treinamento, investimento, desenvolvimento em novas tecnologias, novos processos e produtos da DryWash. “A partir do momento em que as empresas têm um princípio, política corporativa e valores enraizados, atrai bons profissionais e se distancia das pessoas que não se adaptam a isso”, conta Rodriguez.

Plano de vida e oportunidades para funcionários

Os funcionários da companhia, aliás, têm possibilidades de carreira na empresa. O programa começa com o funcionário acadêmico, seguido de auxiliar, aplicador, supervisor, consultor até gerente. Com garantias e planos de carreira, a DryWash também abre espaço para os autofranqueados. Estes normalmente são ex-funcionários, donos dos seus próprios negócios com todo o suporte da empresa, como treinamento, produtos e técnicas. “É uma grande realização para DryWash e para o franqueado. Criamos o Instituto Academia DryWash, que oferece oportunidade, técnica, evolução pessoal, educação moral, respeito, dignidade e meio-ambiente”, afirma Valéria Centin.

Este posicionamento ajudou ainda na evolução dos produtos e serviços da empresa, que passou a desenvolver produtos para limpeza de superfícies em geral, como o limpador de vidros de vitrines de lojas, também com uma fórmula inovadora. Isso porque, com a aplicação do produto, o consumidor que encosta o dedo no vidro não deixará grandes marcas, pois a fórmula dificulta a aderência de gordura. “Há também as empresas que fazem a limpeza de orelhões com produtos DryWash porque tem um prazo maior para fazer a limpeza”, explica.

Depois de muitos anos de crescimento acelerado, em que a empresa chegou a contar com cerca de duzentas franquias no Brasil, a DryWash resolveu se estruturar. Há cerca de três anos não abre mais franquias. Para abrir uma loja, o proprietário deve ter o perfil que a DryWash acredita ser o ideal. “Atualmente existem cerca oitenta franquias DryWash”, diz Valéria.

Acesse

www.drywash.com.br