“Como não pensaram nisso antes?” Este é o título da reportagem que desencadeou os pensamentos para a construção deste texto.
A revista estava no banco do carro da minha irmã. A capa, com o título “A febre das compras coletivas” em letras garrafais amarelas junto com o tempo ocioso que certamente eu teria durante o meu dia, me fez colocar a revista debaixo do braço e trazê-la para o trabalho. Boa escolha. Entre muitas reportagens interessantes, um trecho em especial daquela que citei no começo me chamou muita atenção. (mais…)
Nada melhor do que expor os seus melhores produtos e marca em um local reservado onde a maioria das pessoas estão dispostas a absorver o que você apresentar. Assim são os salões de automóveis que acontecem todos os anos pelo mundo afora. Genebra, Paris, Frankfurt, Detroit, Tókio e por ai vai. Durante alguns dias, toda a imprensa especializada e pessoas interessadas no assunto voltam suas atenções à determinada cidade para acompanhar novidades, lançamentos de mercado, novas tecnologias, curiosidades e praticamente tudo que envolva o mundo das quatro rodas.
FCCIII (Fiat Mio) da Fiat
O 26a Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, que aconteceu do dia 27/10 a 07/11, com mais de 84 mil m2, teve 42 marcas e mais de 450 modelos expostos. Como não passar despercebido em meio a tanta informação? As empresas que buscam um diferencial e querem marcar a mente do público precisam de muito mais do que simplesmente utilizar as “mulheres jarro” (modelos com belos sorrisos e pernas de fora que ficam o dia todo em pé ao lado de veículos que sequer sabem o nome) para chamar a atenção e fazer com que as pessoas fiquem o maior tempo possível em seus estandes.
Em certo ano de crise, a Citroën não pôde comprar espaço para participar de um dos vários salões de automóveis. Para verificar os danos que isso poderia causar na imagem da empresa, um dos diretores contratou pesquisadoras para realizar algumas perguntas na saída do evento. Uma delas era sobre o que as pessoas tinham achado do estande da montadora. Resultado: a maioria disse que tinha gostado, inclusive ressaltando que o mesmo estava muito bonito, sendo que ele nem mesmo estava lá.
Será que o público que frequenta é desatento e não absorve o que vê na exposição ou as montadoras realmente não aproveitam a chance que tem de fazer uma comunicação diferenciada? Pelo que foi apresentado nas duas últimas semanas, em São Paulo, é impossível não escolher a segunda opção. Claro, vemos algumas tentativas de chamar a atenção, com réplicas de robôs gigantes “hollywoodianos”, “carro flutuante” sobrevoando estande e carros que se transformam em robô, mas isso não é o suficiente para marcar a mente do visitante. Outras colocavam transmissões de rádio ao vivo e até show de stand-up comedy. Muito legal, fácil e eficiente para manter as pessoas ao redor por algum tempo, mas onde está a interação com o público? E as experiências que se podem oferecer aos potenciais clientes? Fazer o público realmente te notar como uma fabricante de automóveis, transmitir a sua mensagem, fixar a imagem que você quer ter na mente dos consumidores em um mercado tão grande e disputado e não simplesmente oferecer um espetáculo por alguns minutos. Algumas poucas montadoras colocaram simuladores virtuais de corrida com seus próprios carros para o público se divertir. Mas será que isso é suficiente para deixar sua marca? Sinceramente, não sei, da próxima vez contratem mulheres para ficarem na saída perguntando: “O que você achou do nosso estande?.
Começa hoje a coluna Eu não sou daqui que será escrita por amigos nossos, pessoas que querem expor seus pontos de vista, contarem de eventos, publicarem um trabalho pessoal, etc. Para participar envie seu texto para g30@g30.com.br vamos selecionar um post por semana para a coluna. Quem estréia a coluna é o César Miranda, o post é sobre o show do Bon Jovi. Bem vindo César, agora você é daqui também.
Show do Bon Jovi 06/10/2010 21h no Morumbi.
A data 06/10, não seria apenas uma data comum, e não poderíamos definir como um show a mais que o Brasil iria receber. Poderíamos ver a chegada do Bon Jovi no Brasil como uma realização para nós brasileiros que gostamos e apreciamos o bom e velho Hard Rock. Também acho injusto falar que no dia 06/10 ocorreu “Show do Bon Jovi em São Paulo”, acho que o mais certo seria: no dia 06/10/2010 ocorreu um concerto do Bon Jovi. As mais belas canções da história do Hard Rock iriam ser tocadas nesta noite. Pode parecer algo comum, mas não é. Imagine-se na expectativa de rever algum parente que você não os encontra há 10 anos, e na data de 06/10 você iria reencontrá-los. Então, é esse o sentimento.
Às vezes quando a expectativa é grande, você deixa passar algumas chateações, como falta de organização, descaso com o consumidor, mas são pontos importantes a serem destacados. Em vista de um show visto nos EUA, a organização é meticulosamente planejada, e muito bem arquitetada para que não haja problemas. No Brasil pagamos em média R$150,00 por um ingresso de show, por este valor não merecíamos uma organização mais bem planejada, uma segurança que tenhamos confiança? Mas são esses e outros fatores que nos prendem no conceito de 3a mundo.
Fora os problemas de sempre que o Brasil enfrenta em grandes eventos, vamos ao show. Tempo frio que só iria esquentar a partir das 21h, que foi a hora marcada para Bon Jovi subir ao palco, a expectativa era imensa, porém antes do grande show do Bon Jovi teríamos o aperitivo da abertura da banda brasileira Fresno, que foi recebida por vaias por 70% do público.
Confesso que acho injusto vaiar, mas também a escolha da banda de abertura foi bastante equivocada, na última passagem do Bon Jovi no Brasil há 15 anos atrás, mais precisamente dia 30/10/1995, tivemos a abertura esplendorosa da banda paulista Dr Sin, que é muito conhecida no território nacional e internacional e que agradou bastante o público na época.
Após o curtíssimo show do Fresno, os nervos já estavam à flor da pele para o mais esperado. Enfim 21h e 15 min, horário de Brasília, como costuma se dizer, começa a introdução e se ouve o primeiro acorde de blood on blood um grande clássico de 1988 do álbum New Jersey, neste momento gritos se misturam a empurra-empurra, pulos, e 60 mil pessoas agitando e cantando. No decorrer do show tivemos grandes clássicos que foram tocados, como Born To Be My Baby, In These Arms, It’s My Life, Bad Medicine, Always dentre outras.
Foram 3h mágicas, para quem esperava um show bom viu um show excelente ao qual Jon Bon Jovi mostrou e provou porque possui uma das vozes mais belas do mundo, e que ainda tem gás para muitos e muitos shows. Durante o show viam-se rostos cheios de lágrimas, pessoas que realizavam seu sonho ao ver Bon Jovi, viam–se a real felicidade que alguém poderia sentir vendo de perto a banda favorita.
Tivemos momentos sublimes como, por exemplo, no meio da música Bad Medicine ao qual Jon Bon Jovi no meio da música convida o guitarrista de apoio Bob Bandiera para tocar um dos maiores clássicos do mundo de Roy Orbison, Pretty Woman, com essa ótima música o Morumbi foi à loucura e todos cantaram. Em uma triste reta final um dos clássicos Keep The Faith é tocado a todo vapor e logo após ocorre uma parada, com o público apreensivo a banda volta ao som de These Days um dos clássicos mais esperados na noite.
Dentre as músicas finais importante destacar na penúltima música ouvia-se o refrão de Livin’On A Prayer sendo cantando antes dos acordes por Jon Bon Jovi e pelos 60 mil fãs, foi um momento de puro arrepio e felicidade. Por fim, para fechar com legítima chave de ouro a balada, talvez, uma das mais belas canções já vistas Bed Of Roses, onde se viam casais abraçados, pessoas com rosto cheio de lágrimas, bandeiras estendidas e a feição de missão cumprida de muitos fãs.
Assim que encerrou o grandioso show, tínhamos apenas uma certeza, que tivemos um dos mais belos shows já vistos. Na hora de sair do Estádio Morumbi, nada tirava a felicidade de ter acompanhado a maior banda de Hard Rock, nem dor na perna, empurra-empurra tirava o bom humor de todos que compareceram e presenciaram um dos grandes feitos da história da música no Brasil.