A sorte não tem nada a ver com isso
Uma das coisas que ainda acho curioso a respeito de como a maior parte das pessoas encara nossa profissão, publicitários, é o fato de como elas percebem a questão da criatividade. Ainda me parece que, para todo mundo que não tem tanto contato com o making off de como as campanhas são pensadas e criadas, essa coisa de criatividade mais parece coisa de outro mundo. Ou uma questão de sorte, de achar a palavra certa, a frase certa, a imagem certa. Ok, não vamos negar que ela colabora algumas vezes para o processo, num outro conceito de sorte.
Certa vez ouvi que a definição de sorte é o encontro do preparo com a oportunidade. Se encarado dessa maneira, podemos dizer sim que somos sortudos. Estamos preparados, e quando surge a oportunidade de uma campanha, tcharan! A sorte aparece.
Esse prelúdio foi apenas para contar que reparei que usamos em algumas campanhas da G30 o conceito de sorte. Não nessa acepção que acabei de comentar, mas da maneira que todo mundo a entende, um golpe feliz e inesperado do destino, uma proteção invisível, um acontecimento inesperado e feliz que mudará todo seu futuro.
Começo com a campanha da Sport Hall, que usou um item que simboliza a sorte, o biscoito da sorte. Vocês já devem conhecer aquele biscoitinho chinês simpático e oco, em forma de meia lua, que traz uma mensagem dentro. Pois descobrindo como ele surgiu, entendi que sorte na acepção mais comum do termo também nada tem a ver com essa guloseima.
No século XII o povo chinês lutava para se libertar do domínio dos mongóis. Durante anos eles batalharam até que a estratégia final que garantiria a derrota dos mongóis havia sido formulada, mas não havia como transmiti-la aos seus guerreiros sem que caísse nas mãos inimigas. Alguém teve a brilhante idéia de esconder a mensagem dentro de bolinhos chineses em forma de meia lua, cujo sabor era detestado pelos mongóis. Assim, os generais receberam seguramente a mensagem e o povo chinês conquistou sua liberdade. Para comemorar a data, os chineses criaram a tradição de distribuir entre si os biscoitos contendo mensagens de boa sorte. A campanha de julho de 2008 da Sport Hall era vinculada ao tema das olimpíadas de Pequim, na China. E eis que o biscoitinho veio a calhar.
Aqui a mensagem de sorte foi para os atletas brasileiros que disputavam as olimpíadas, à época da campanha. E contando também a melhor estratégia para adquirir os produtos esportivos das melhores marcas: passar na Sport Hall.
A sorte está ligada pelas crenças a vários objetos. Ferraduras, trevos de quatro folhas, patas de coelho, são clamados por muitos como capazes de trazer sorte ou proteção. Um amuleto afinal é um objeto com o qual o sujeito deposita a fé de trazer proteção e boa sorte, enquanto estiver sendo utilizado. Os amuletos também já fizeram parte de uma das campanhas da Santa Casa Saúde.
Nesse caso, a construção da mensagem se dá utilizando o argumento da sorte de maneira inversa. O título da campanha chama a atenção do taxista de que ele não deve contar com a sorte para proteger sua saúde e a saúde da sua família. É mais prudente ter um plano de saúde do Santa Casa Saúde.
O mesmo argumento inverso foi utilizado com grande sucesso em duas campanhas para o CEFAP. A primeira, veiculada durante as matrículas do primeiro semestre de 2008, dobrou o número de alunos matriculados para os cursos técnicos da escola, localizada em Sete Lagoas.
O sonho de um recém formado no segundo grau é alguém que lhe diga com certeza o que deve fazer para obter sucesso no mercado de trabalho. Alguém que, quem sabe, possa ler o futuro. Assim, surge a cigana, conhecida por abordar pessoas nos mais diversos locais para praticar quiromancia (ler o futuro através das mãos).
Mas não é possível prever o futuro, afinal, ele é baseado na escolha pessoal de cada um. E a escolha mais acertada que esse jovem pode fazer, é garantir seu futuro fazendo um curso técnico no CEFAP.
Na campanha de matrículas para o primeiro semestre de 2009 usamos o mesmo conceito de sorte, mas já com outro símbolo, o vidente e sua bola de cristal. Reza a crendice popular que o vidente é capaz de saber tudo olhando através do seu misterioso objeto. E vai além, abrindo as portas da mente para algo ainda não percebido pelo ansioso espectador.
O futuro está nas mãos de quem faz um curso no CEFAP, não nas mãos do vidente. Em vez de tentar saber seu futuro com a bola de cristal, construa você mesmo o conhecimento no CEFAP para ter sucesso profissional.
É possível perceber então que a sorte não é a responsável pela criatividade, afinal. Mas ela pode ser usada para melhorar a “sorte” dos clientes.



